Prefácio à obra

Neste trabalho antológico como divago pródigo e filho adotivo,
desta cidade de Espinho, julguei por bem dar voz a quem tem voz.
Todos nós temos um olhar pessoal de sentirmos as coisas, as coisas
que nos envolvem: uma flor, um rio, uma árvore, uma montanha, um
pássaro, uma criança, um pai, uma mãe, um filho, enfim um pedaço
de cada gesto humano, que trespassa o sentimento mais profundo
dentro de cada um de nós.

Move-nos a sensibilidade de falar das coisas, de as escrever e
guardá-las como se fossem uma caixa-forte de segredos.
Para uns são retalhos de vida circunspecta, para outros, são
sonhos vividos ou ainda por viver na concepção de os realizar. Penso
ser lógico destacar, sobretudo a coragem destes pensadores, ou
poetas, em destapar o véu da sua essência.
Só assim a convivência e partilha do projeto, faz sentido. Só
assim se torna forma de se conhecer, ser conhecido, de valorizar e
ser valorizado.

Só assim o poeta é do mundo, e o mundo é mais copioso
porque sabe que o poeta existe.
Sem exceção, todos foram recebidos pela mesma porta e pela
mesma janela, cada um teve direito à recompensa por igual.
Bem-vindos à realização de um sonho como se fosse uma
criança, que sonha sem saber que o sonho, existe.

A poesia é uma dedicatória, padece, mas não sente, apenas
pretende manter-se umbilicalmente ligado ao fingimento da dor; do
amor, da paixão e do desejo.
A poesia é a sociedade, fonte de inspiração.
“Temos coisas boas, com vergonha de sermos verdadeiros”
Esta antologia, é uma homenagem à coragem, ao amor a si
próprio, um hino à liberdade do pensamento para dizer ao mundo a
vontade de ser; que sabe amar, que é solidário e fraterno, que sabe
quanto custa um quilo de farinha, um quilo de broa, ou uma tigela
de sopa… é sentir a vontade de rachar tabus e poder libertar-se das
coisas mesquinhas que só os convencidos entende o espaço erudito.
No interior da cada pessoa há sempre um poeta que sente, que
sofre, que quer transmitir as suas emoções que e se procura. Em
geral, faltam-lhe palavras ou não as sabe usar como gostaria. Muitas
vezes, receia desnudar-se, pensando que podem ver no que diz ou
no que escreve uma fraqueza que não deseja revelar; outras vezes,
tem medo de corar quando os que o cercam vêm projeções do que
é, sente ou pensa.

Naturalmente, nem tudo que se publica com intenções estéticas
possui um verdadeiro carater literário e a perfeição das artes
gramatical e linguística. Mas o que pode desmerecer esteticamente é
frequentemente, merecedor de atenção a nível sociológico e cultural.

Augusto Canetas

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